terça-feira, 30 de dezembro de 2014

Passado Condenado - Nota



Nota sobre a próxima história

Passado Condenado
Em uma noite dos 365 dias que compuseram 2004, eu tive um sonho. O que vou descrever agora não foi o que vi, mas sim o que senti. Essa história poucas pessoas conhecem e parte da tecnologia que descreverei aqui, já estão em estudo afinal, estou revelando para vocês 11 anos depois.

A Terra agora abrigava pequenos focos da nossa espécie em ilhas onde anteriormente eram lugares atingidos somente por escaladores. O ano eu não sei dizer, mas sei que era após o degelo. A Natureza nos poupou de nós mesmos (1), dizimando uma enorme parcela da população mundial, varrendo a gente do mapa e jogando para o fundo dos oceanos. Acho que não preciso mencionar que o dinheiro foi o “bote salva-vidas” de muita gente, não é?

A Humanidade já tinha se reorganizado verticalmente, uma vez que existiam poucos pedaços de terra firme. Os prédios eram colossais, abrigando todo tipo de gente, só que seu andar dizia o quão financeiramente sucedido você era ou seja, quanto mais baixo o andar, mais pobre era a pessoa. Esses grupos não se misturavam e o sucesso financeiro também não o fazia mudar de andar. Sabe as castas? É mais bem por aí.

Seguindo o raciocínio das castas e dos andares, se você fosse cada vez mais para perto do chão, logo veria mais pobreza e claro, gente tirando proveito disso - isso nunca vai mudar, acredite - e é nesse espaço que a história é contada, porém não convém ainda falar.

Com poucos Humanos, foi preciso priorizar duas coisas: a transmissão da cultura, tecnologia e todo o conhecimento adquirido até hoje e a prevenção de epidemias. Então vamos falar dos dois pontualmente:

Transmissão de conhecimento: Tendo a Humanidade se isolado em focos, não se podia ter mais o direito de escolha de uma profissão. O advogado, professor, médico, engenheiro, administrador e todas as profissões que você conhece continuarão a existir, mas não por livre arbítrio. Cada humano tinha um papel fundamental para existência daquele foco então o Governo previa que de tantos em tantos anos, seria preciso um lote de humanos desenvolvendo uma determinada profissão. Trocando em miúdos se daqui há 20 anos fosse preciso um “lote X” de professores, a mulher que estivesse grávida teria o seu filho modificado geneticamente para ter aptidão em lecionar determinado tipo de matéria para uma determinada faixa etária (2).

Devo mencionar que se tiravam proveito disso também? Acho que já estava óbvio. Só as castas superiores tinham o direito de ter um filho Apto, pois isso era embutido nos impostos e claro, se você morasse no topo, poderia com um “pouquinho a mais” criar um clã de profissionais de uma área sem a mão pesada do governo para lhe impedir. Essa manipulação genética só estava disponível para aqueles com poder aquisitivo considerável e os que o Governo considerava como “classe ativa e decisória” do foco.

Os que não podiam pagar pela manipulação, eram chamados de Puros e severamente discriminados, vivendo na miséria e/ou entrando para a Sociedade Paralela onde literalmente se vivia no chão e lá, a Lei quase não chegava, tornando um lugar propício para o que também conhecemos hoje: Trafico de drogas, de gente, roubo, assassinatos… Tudo de pior que o Homem pode fazer, ainda existia por lá.

Medicina Proativa: Chamada atualmente de Medicina Preditiva (3), é um tema discutido hoje pela Bioética e surgido após o mapeamento do genoma humano. Nessa época que descrevo, qualquer coisa que fosse válido para a sobrevivência da espécie era permitido, portanto coisas como o aborto e a manipulação genética de seres humanos era autorizado. Apesar de cada um ser parte importante dentro do Foco, não se podia ter exemplares mal formados, que gerasse custos a mais para a família ou o Governo. Hoje em muitos países é discutido o aborto de fetos cujo o cérebro não foi formado. Por que manter? Por que abortar? São questões que atualmente para nós soam extremamente cruéis mas, se tratando de perpetuação da espécie, acho que somos capazes de qualquer coisa… (4)

Cada Humano dentro do Foco independente do seu andar, teria um dispositivo subcutâneo para prevenção e controle de doenças. Aqueles que não fossem Aptos, pelo menos não disseminariam nenhuma epidemia acabando com o pouco de gente que restava. Você era obrigado pelo Governo a fazer um check-up genético caso contrário poderia tomar uma multa ou sendo detido e encaminhado ao hospital.

Os check-ups consistiam basicamente em você ser plugado em uma pequena máquina e ficar ao lado dela durante alguns minutos. Caso fosse diagnosticado uma possível probabilidade (isso mesmo que você leu) de começar a desenvolver qualquer tipo de alteração corpórea, seja até um simples resfriado, essa informação seria enviada para o médico de plantão e você encaminhado até ele, onde seria dado o tratamento adequado e assim extinguindo a possibilidade de desenvolvimento da doença.

A respeito da aventura, ela será escrita após do término dos Órfãos do Lobo, até bem porque não quero misturar os assuntos. Essa pequena nota foi para divulgar o que ainda há dentro da cabeça desta que vos fala e que ainda tem muita história para contar.

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1 - Sinceramente sempre enxerguei o Homo Sapiens como um parasita; um corpo estranho dentro de uma cadeia de acontecimentos que não se encaixa ou se adapta a nenhum processo natural, mas isso é outro papo.
2 - Algo parecido com isso já foi filmado por Hollywood no filme “Divergente”.
3 - Veja um pouco sobre esse dilema em: http://www.portalmedico.org.br/jornal/jornais2000/07_082000/Bioetica.htm
4 - Por favor não me processem!